Acabo de chegar de uma formação de animadores. A realidade é que nos últimos cinco anos tenho frequentado um campo de férias onde participei como acampante. Posso com segurança afirmar que esta experiência foi uma das que mais me enriqueceu como pessoa, na relação com os os outros e comigo mesmo. Não é fácil estar inserido num meio de colégio durante 8 meses e chegar ao Verão, totalmente desamparado, necessitando de uma integração rápida. Num meio onde o mimo é como bem diz o povo, "o pão nosso de cada dia", em que cada um faz o que quer e quando quer, onde ninguém se preocupa com ninguém e demonstra a atitude do, e sem querer abusar da boca popular, "quem vier atraz que feche a porta". Ainda assim a minha adaptação foi rápida também pela minha própria personalidade ou pela atenção da equipa de animadores responsavéis por mim nos meus primeiros turnos. Hoje posso com alguma confiança afirmar que sou um dos ícones do Campo de Férias do Castor (nome da instituição que tão gentilmente me recebeu e ocupou os tempos livres). Isto porque toda a gente sabe o meu nome e sabe todos os episódios das minhas peripécias ao longo de cinco anos de campos.
No entanto o que me leva a escrever hoje é a aprendizagem. O que é que aprendi nas actividades como acampante e o que assimilei da formação realizada durante 5 dias? Será que aprendi mais com as actividades lúdicas e com as sessões de animadores ou com as cantigas à noite? Na minha opinião, o ganho está sobretudo nestes momentos, são eles que definem rumos, amizades e mesmo personalidades. Durante as "Dunas" ou mesmo quando "Não há estrelas no céu"a aproximação dos grupos é tão maior que permite o aparecimento de tiques, olhares cumplicies, toques e expressões, rotinas e certas ligações, tão profundas que duram uma vida!
Hoje sei perfeitamente o que é um amigo, uma pessoa verdadeira e que não coloca uma crosta por cima só para ser social ou conhecido, no Campo, eu sou eu e mais ninguém...Dificil exercício eu sei mas há que tentar! Um exemplo concreto são a maior parte das pessoas da minha turma. Quando estão juntas, olha lá as maneiras, agora separadas já todas opinião umas sobre a vida das outras! No campo isto não acontece...esses falsos jogos ficam na paragem onde se apanha o autocarro para a quinta!
A minha conclusão é: A vida descobre-se, não na escola, não em formações ou actividades mas com a experiêcia de lá estar...O que importa é que no fim todos saibam o que fazer.