sábado, 10 de dezembro de 2011

Posso acabar contigo? É uma proposta engraçada, não? Achei que sim. Há um tempinho propus esta solução à mulher da minha vida. Não sei o que ela dirá...
Tenho hoje 18 anos e vivo numa sociedade sem princípios, sem convicções, sem presente nem futuro e agarrados à nostalgia do passado. Ninguém fala das maravilhas do futuro, ninguém consegue ver mais além da tragédia do quotidiano, ver para além da imagem redutora da verdade inexorável que mostra um grandessíssimo nada! Será estranho não partilhar da sua visão? Serei um visionário? Ou apenas inconsciente? Prefiro achar-me só sortudo!
Explico. Há uns tempos, mais ou menos oito anos, tropecei na minha alma gémea. Sem saber o universo deixou cair uma encomenda por engano à minha porta, deixou cair uma coisa que tanta gente procura e nunca encontra. Um carteiro, uma cegonha, quer dizer uma cegonha não, que essa trata é dos bebés, um cupido, pode ser um cupido que nesse dia trazia um pacote em vez de um arco e flechas, deixou à minha porta o pacote do amor. Sem saber o que era deixei ali o embrulho por abrir. Entretanto, outras encomendas, cartas, embalagens, planos, anos, poeiras e momentos poisaram em cima do pacote e cobriram-no adiando as consequências da sua abertura. O mundo avançou e uma paixão irracional e sempre reprimida cresceu sem autorização. Ilegal, ela limitava-se a expressar-se por olhares e comentários de fazer corar, por momentos que eram estranhos e não sabíamos fazerem sentido...
Há uns meses, a minha mãe estava a ajudar-me a fazer a mala para uma viagem importante, uma viagem que mudou a minha vida. Esta era uma viagem transatlântica até uma terra quente e que nos aqueceu os corações. Como dizia, minha mãe ajudava-me com a minha mala, e descobriu, debaixo de montanhas de memórias, coberta pelo peso dos anos, o pacote, nada disse sobre ele, entregou-mo, tinha o meu nome escrito, e eu encarreguei-me de o abrir. De repente, eu estava estranho, queria a todo o custo aproximar-me dela, dizer-lhe que tudo era estúpido e ridículo, que o mundo era todo só nosso, que aquele tempo tinha sido um engano, um devaneio. Eu sabia que não podia viver sem ela, mas ela tinha companhia, um namorado que a tinha acolhido quando eu a mandei embora, alguém com quem partilhou muito e nunca poderá esquecer...
Eu tinha aberto a caixa, eu tinha direitos apesar de oito anos atrasado! Nessa viagem, por iniciativa dela, falamos, esclarecemos as coisas a partir daí foi sempre a subir! Falávamos tanto, eu arranjei um telemóvel novo só para poder falar todos os dias com ela. Era óptimo, e ela também sabia que se sentia bem comigo. Mas ainda havia o problema do namorado que teimava em existir. Magoava-me tanto imaginá-los juntos, o que faziam só Deus sabe, porque eu escolhia nem pensar... No entanto, esse foi sol de pouca dura! Eventualmente a sua relação acabou, e apesar de não admitir eu sei que em parte eu tive culpa. E eu adorava essa culpa!
As coisas avançaram e tempos depois estávamos juntos, juntos como sempre foi o nosso destino estar. Digo-me optimista porquê? Porque finalmente encontrei alguém de que gosto sempre, quando a amo, eu gosto dela, quando me magoa, eu gosto dela, quando não quero gostar, eu continuo a gostar dela. Encontrei alguém de quem gosto sempre, alguém que está em todas as músicas, em todas as imagens, palavras e histórias. Digo-me optimista porque encontrei no meio de tanta dúvida a minha única certeza! Encontrei uma razão para largar tudo e ir para onde ela for só para poder estar com ela. Digo-me sortudo porque encontrei uma razão mais do que suficiente para ser feliz sem ter de pensar neste presente horrível, porque eu sei que o futuro vai ser maravilhoso! Estou ansioso pelos cinemas, pela escolha do papel de parede, pelos pequenos-almoços na cama, faço eu e não ela, pelas viagens pelo país, pela Europa e pelo mundo. Mal posso esperar...
Por isso digo, que mais vale encontrar esta razão, a razão de cada um do que estar uma vida inteira a inventar razões para não se ser feliz! Eu sou feliz por saber que por muito que discutamos o mundo, por muito que discutamos entre nós vamos estar sempre presentes com um abraço de conforto, um beijo quente e uma palavra que nos agarra, um olhar que jamais nos deixará cair...Ser feliz é tão fácil e tão bom...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Já não sei viver...

São seis horas, vinte cinco minutos, trinta e sete segundos e uma vida em pausa. Dei-me ao luxo de pegar no comando e pressionar o botão de pausa. Agora não ouço mais o barulho do motor do autocarro que me deveria levar a casa, não vejo a chuva a cair, não consigo cheirar o ar do final do dia que circula na capsula metálica que nos comporta, não vejo o tempo avançar, o relógio marca a mesma hora teimosa e o mesmo minuto intrangisente. Tudo está imóvel, nada tem vida, nem matéria, nem substância de qualquer sorte, tudo é parado porque eu assim o quis.
Encostado no banco, olho para o meu lado em busca de ver quem é o parceiro que se esconde no assento imediatamente à esquerda. A noite não deixa perceber todos os seus sinais, mas ao olho não conseguem escapar certos traços gerais, o seu cheiro a tabaco barato, a sua ocupação servil e o facto de não ter um comando com um botão de pausa como o meu. A verdade era essa, o mundo parou sem parar, fingiu que parou para me deixar para trás! Todos avançam menos eu, todos veem a chuva e ouvem os motores e sentem aquele cheiro. Só eu parei realmente.
Enfim, nem sei o que sinta, se pena se compaixão, senão as duas que até podiam ser irmãs. Só eu paro, mais ninguém o faz. Nesta altura lembro-me das filas de gente que amorfas marcham como soldadinhos de chumbo pelas ruas que nunca viram realmente. Passam por sitios, por prédios, por ruas, por cafés que não espreitam, por janelas que não abrem, por portas a que não batem, por uma vida que não vivem, que lhes foi furtada por si próprios! Quantos dos que andam já pararam? Quantos já sairam da parada? Quantos furaram a formatura e decidiram não atravessar na passadeira? Quantos já decidiram mandar tudo "à fava" e fugir para as ruas de Paris ou de Roma ou de uma cidade que não lhes deixam descobrir, porque não fogem para Lisboa? Para fugir não custa nada! Basta pegar no comando e carregar pausa, deixar que as filas congelem, que os carros deixem de buzinar, deixar que as preocupações que nos consomem o espirito se façam fumo e desapareçam com o vento. Era tão bom ter esse comando. Era tão bom sair da fila monótona, cancelar a nossa matrícula em Direito, Medicina ou Comunicação e pegar nas trouxas rumo ao mundo que nos chama. A saudade que sinto é da vida, do sentimento de ser livre, do sentimento de ser eu sem ser necessariamente assim, preso a este viver.
Era tão bom ter esse comando que nos deixasse ser livres! Livres da escravatura da rotina, da escravatura das pressões sociais, da escravatura dos falsos moralismos, das hipocrisias generalizadas que destroem as relações entre os Homens e permitem que duas pessoas viajem ás seis da tarde sem nunca se falarem, as hipocrisias que permitem que todos atirem as pedras que têm nas mãos em vez de as trocarem por um beijo, que comentem os contornos das suas costas como viboras que necessitam falar sobre a desgraça alheia por não terem (por certo) desgraça só sua! A vontade que surge é uma que me impele a escapar deste antro sem futuro que é Portugal.
Aquilo que se pede é que cada um seja consciente, que divirja da multidão, que se assuma como diferente e novo, algo que não se fica pelo já feito, os actos translacticios não podem de todo compensar a falta de imaginação que assola este povo sensaborão. Onde está a vontade de aprender?Onde se quedou o saber-fazer próprio?O saber-agir sobre pressão, o saber puro que é tão importante?Tudo isto se perde e se reduz às filas dos bares para beber o esquecimento em estado liquido, quando se mistura prazer com trabalho e se deixa tudo do avesso, há pouco a fazer. Quando os Homens se esquecem de viver o mundo pára, a sociedade coloca sobre si mesma um freio impossivel. Quando deixamos de viver em concordância com quem somos passamos tão somente a existir enquanto matéria biológica, deixamos de ser pessoas nem mesmo gente, reduzido a um nivel inferior ao dos ácaros. Viver sem viver é só existir, e existir sem poder viver é pairar e ninguém hoje em dia se pode dar ao luxo de pairar, hoje em dia só pode que vive!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Acabo de chegar de uma formação de animadores. A realidade é que nos últimos cinco anos tenho frequentado um campo de férias onde participei como acampante. Posso com segurança afirmar que esta experiência foi uma das que mais me enriqueceu como pessoa, na relação com os os outros e comigo mesmo. Não é fácil estar inserido num meio de colégio durante 8 meses e chegar ao Verão, totalmente desamparado, necessitando de uma integração rápida. Num meio onde o mimo é como bem diz o povo, "o pão nosso de cada dia", em que cada um faz o que quer e quando quer, onde ninguém se preocupa com ninguém e demonstra a atitude do, e sem querer abusar da boca popular, "quem vier atraz que feche a porta". Ainda assim a minha adaptação foi rápida também pela minha própria personalidade ou pela atenção da equipa de animadores responsavéis por mim nos meus primeiros turnos. Hoje posso com alguma confiança afirmar que sou um dos ícones do Campo de Férias do Castor (nome da instituição que tão gentilmente me recebeu e ocupou os tempos livres). Isto porque toda a gente sabe o meu nome e sabe todos os episódios das minhas peripécias ao longo de cinco anos de campos.
No entanto o que me leva a escrever hoje é a aprendizagem. O que é que aprendi nas actividades como acampante e o que assimilei da formação realizada durante 5 dias? Será que aprendi mais com as actividades lúdicas e com as sessões de animadores ou com as cantigas à noite? Na minha opinião, o ganho está sobretudo nestes momentos, são eles que definem rumos, amizades e mesmo personalidades. Durante as "Dunas" ou mesmo quando "Não há estrelas no céu"a aproximação dos grupos é tão maior que permite o aparecimento de tiques, olhares cumplicies, toques e expressões, rotinas e certas ligações, tão profundas que duram uma vida!
Hoje sei perfeitamente o que é um amigo, uma pessoa verdadeira e que não coloca uma crosta por cima só para ser social ou conhecido, no Campo, eu sou eu e mais ninguém...Dificil exercício eu sei mas há que tentar! Um exemplo concreto são a maior parte das pessoas da minha turma. Quando estão juntas, olha lá as maneiras, agora separadas todas opinião umas sobre a vida das outras! No campo isto não acontece...esses falsos jogos ficam na paragem onde se apanha o autocarro para a quinta!
A minha conclusão é: A vida descobre-se, não na escola, não em formações ou actividades mas com a experiêcia de lá estar...O que importa é que no fim todos saibam o que fazer.

sábado, 17 de outubro de 2009

Peço desculpa pela ausência prolongada, parece que já nem tempo para mim tenho quando mais para os outros...Por isto perdão.
Na realidade escrevo pedindo concelhos a quem quiser responder ao apelo do ''escritor''.
Sinto-me confuso, andando a deriva, sinto que ninguém me ouve, nem tão pouco quer ouvir. Sinto que estou sozinho. Por vezes quando saio da escola à sexta-feira imagino todos os jovens da minha idade a divertirem-se com os amigos, namorados, primos ou irmãos, e eu...enterrado em casa por debaixo da minha própria solidão. Claro que isto não acontece sempre!Também me divirto.
Na verdade nem sei porque isto me acontece. Sempre fui extrovertido e consegui sempre trazer para junto de mim muitos amigos, muito calor.Talvez seja a minha postura defensiva e desleixada que passe uma imagem de imunidade, força e capacidade de vencer totalmente só. Tudo isso, uma fachada para não dar parte fraca. O pior é o total desinteresse que as pessoas revelam em relação a mim. Penso que a minha imagem de perfeição será talvez demasiado caprichosa. Tudo o que eu queria era um grupo para estar, que estivessemos sempre juntos. No final das aulas beber um café e estar, simplesmente deixar-me ficar.Não é demasiado pois não?
O que fazer para conquistar isto junto de pessoas que valham a pena?pessoas com que se possa conversar sobre coisas mais profundas do que unhas,sexo, drogas e rock n' roll? Acho que sou uma espécie em vias de extinção e talvez já não haja ninguém como eu por aí, no entanto a minha fé é que talvez valha a pena lutar e a sorte é capaz de me estender o braço...se alguém por ai se sentir igualmente só, partilhe a experiência por comentário e podemos ajudar-nos.
Ainda assim, sou feliz e anseio pela faculdade, pode ser que lá tenha melhor sorte!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A educação não está assim tão mal...

Hoje no meu colégio deu-se uma cerimónia anual a que tão pomposamente chamam:"Quadro de Honra". Esta celebre cerimónia tem como objectivo distinguir os melhores entre os melhores, a elite, como insistem em chamar-nos. Já devem ter percebido que faço parte da "elite". Não digo isto de forma presunçosa, mas também não atribuo, de modo algum, pouca importância a este facto! Isto para chegar à questão realmente em foco. Em fila chegamos ao local destinado a receber os "crânios", sentamo-nos. Mas quando nos levantamos para entoar a plenos pulmões o hino do colégio é que nos apercebemos da grandeza do evento, do calor que nos rodeia e da quantidade de miúdos dos 10 aos 18 que ali se reuniram. Penso imediatamente que a educação não está mal de todo! Com médias acima dos 16 valores dezenas de alunos, senão centenas, naquele momento mostram que a nova geração não está perdida, não completamente. A alegria que sinto quando me apercebo disto é enorme visto que a comunicação social trata de encher os jornais, as rádios e televisões com a desgraça do ensino pensei também no ensino onde se prestigia a qualidade e de onde saem pessoas com qualidade! Parabéns ao colégio, a todos os honrados mas também àqueles que por uma razão ou outra não estiveram presentes. Bem haja aos alunos, professores e BOM ANO!

domingo, 27 de setembro de 2009

É uma pena...

Assisto agora em directo, através órgãos de comunicação social, à contagem dos votos referentes ás eleições legislativas que definirão o partido que tentará remediar 40 anos de políticas erradas, de uma falsa democracia, de uma liberdade enfraquecida pelos interesses de alguns, perdão de cada um, pelo puxar a brasa à sardinha dos poderosos que, depois do frenesim da viragem para o caos que hoje nos morde os calcanhares desde 74, deixaram de acreditar em fazer o melhor para o país mas sim em protagonizar investidas ferozes ás carteiras das pequenas e médias classes. Mesmo quando o dinheiro não é a sua motivação, percebe-se claramente que a falta de jeito, vocação, e saber politico e social abundam nas mentes destes e limitam a nossa escolha e a fazem pender entre o mau e o fraquinho. Será possivel que estejamos limitados a escolher entre a mentira e o escandalo? Entre a atribuição de "tachinhos" e as reformas couxas e sem suporte nenhum? Entre investimentos megalómanos, que nos colocam entre os lugares cimeiros do endividamento e nos lugares últimos do desenvolvimento, e as constantes revoltas entre as classes trabalhadoras? Não se enganem pois é isso que nos espera durante os 4 anos que se seguem! Com a escolha de um povo que esquece os seus protestos, que esquece as injustiças que tanto chorou o país fica entregue ao partido da anedota e da mentira.
No entanto não culpo tanto assim o povo pois a ignorância não é passível de ser castigada. Quando os programas não são discutidos na campanha, quando tudo o que se vê são quezílias entre personalidades e ataques pessoais é natural que o voto se resuma a um "jogo do calhas". Viu-se mais o que é o quê e quem é quem num programa de humor com um dos "jornalistas" que melhor soube arrancar um certo resquício da verdade do que naquilo a que se chama campanha eleitoral.
Então o país fica entregue aos bichos no parlamento, ao zoo da falsa democracia. Temos assim uma Casa, onde outrora viveu um sonho, dividida em esquerda e direita; A esquerda liderada pela mentira(PS!), com os extremistas/cegos de ódio/longe de capazes(BE!) e com o partido da familia/dos sonhadores/dos utópicos(CDU) está na minha opinião dividida e sem ideias credíveis e aplicáveis. A direita comandada por um partido que sai ferido mas não moribundo, que quer fazer mais e deveria ter ganho(PSD!!), com um irmão zangado e de costas incompreensivelmente voltadas(CDS-PP), a estes falta credibilidade.
Este não é o país que amo nem o futuro que quero. é preciso união e vontade de fazer mais e melhor. Em vez de pensar grande pensar bem. Deixem as nacionalizações, as ideias trotskistas e o capitalismo desnfreado. Vamos ser inteligentes e envolver-nos na luta pelo país e por nós!!!
Vamos ser PORTUGAL!!!É uma pena que ainda não o sejamos...

Parabéns

Hoje é dia vinte e sete de Setembro de 2009, hoje há mais ou menos 41 anos nasceu a minha mãe de seu nome Rosário, Maria do Rosário. A ela quero dedicar este blog e todas as linhas que escrevi e escreverem... Para ela o maior beijo do mundo... Espero poder festejar muitos mais anos de amor e felicidade...